toda vez que a tristeza me encontra, a menina me dá a mão
Lá onde eu vivo, tudo está completamente diferente do que poderíamos imaginar. Não tem muita coisa do jeito que você quis ou sonhou, preciso dizer, mas se quer saber... é muito melhor!
Acho que isso acontece com todo mundo, sabe? Quando se vive aqui onde você mora, tudo o que se quer é, na verdade, o poder de fazer escolhas. E quando se está lá onde eu vivo, podemos até fazer nossas escolhas, mas a tarefa incansável e curiosa de se tornar seu próprio lar nos faz querer, sempre que possível, voltar aqui onde você está, para sentir o conforto da inocência uma vez mais.
Eu prefiro viver onde vivo agora, sabe, pequena Laís. Podemos até não termos os seis filhos e tudo aquilo que você sonhou, mas o que consegui para nós foi uma realidade em que podemos ser nós mesmas. Em que pudemos nos livrar do peso imensurável das expectativas alheias e darmos espaço às nossas próprias. Lá não somos mais reflexo ou apêndice, somos inteiras e completas, perfeitamente capazes de coisas que você imaginou serem possíveis para nós (e muitas vezes, eu também não).
Confesso que toda essa liberdade as vezes me paralisa, e é aí que venho te ver, para retomar a coragem necessária para sonhar, para criar novas realidades, e só então voltar para lá e transformá-las em verdades.
Lá não nos escondemos em roupas largas e em silêncios que agradaram a todos (menos nós muitas), não pedimos desculpas por sentir demais ou por sermos quem somos, não aceitamos as migalhas que tanto insistem serem suficientes para nos ganhar. Lá, a gente se mostra sem medo de ser feliz, sem pensar no que será pensado sobre nós.
Eu sei que para você pode parecer insuficiente, mas eu juro, não é. Nem você e nem as outras acharam que uma realidade assim fosse possível, não é? Cá pra nós, acho que você ia me achar o máximo. Gosto de pensar que sim. Estou cercada de pequenos como você, e penso na sua felicidade sempre que busco a deles. Obrigada por ser a estrela que me guia, para que eu possa guiar todos aqueles que passarem por nós.
Espero sempre poder voltar para te abraçar, como fiz em sonho recentemente. Não prometo segurar o pranto sempre que o fizer e estiver pronta para voltar para lá, mas veja, são gotas de felicidade! São pequenos lembretes de que você é meu propósito, mesmo que não entenda. Mesmo que tudo o que queira seja se perguntar se há algo de errado ou se você não se esforçou o suficiente quando nosso caminho se fecha para algo ou alguém. Não tem nada de errado com a gente! E se no fim formos eu, você e nossas várias eus, seremos sortudas. Sempre serei, enquanto estivermos todas em uma só.
Por lá vou tentando consertar os rastros de quem já passou e ainda passará, porque o meu maior sonho só vocês podem me dar. Repararei janelas e telhas, assoalho e portas, mas o fundamento desse lar que serei para todas vocês (nós) jamais será derrubado.
Podem se abrigar, e aqui dentro sejam o barulho e a alegria que eu sei que sempre foram, aí no fundo. Aqui ninguém entra, o mal e a dor ficam para trás, do lado de fora. Liguem o som alto e cantem Temporal e outras canções que sabem de cor e salteado à plenos pulmões, mesmo sem compreender completamente o que dizem, porque eu sei e quero ouvi-las de lá.Me dê cá a mão, que eu deixo as armas para trás.Feliz dia das crianças!



Que texto lindo!!!
ResponderExcluirA Laisinha que gostava das letras do alfabeto ia amar esse agora, com certeza!
Uau! 😍
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